A CARGA
TRIBUTÁRIA NÃO PARA DE CRESCER
Clóvis
Panzarini
A
arrecadação federal, no primeiro quadrimestre
de 2011, somou R$ 80,5 bilhões, apresentando
acréscimo real (deflacionada pelo IPCA) de
12,10% em relação a igual período
do ano passado. Essa taxa é certamente superior
à do crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) no período, o que implica robusto aumento
da carga tributária, que é medida
pela relação entre Receita/PIB. O
crescimento do numerador dessa razão maior
do que o do denominador revela que nós, brasileiros,
estamos carregando um fardo tributário cada
vez mais pesado.
Esse resultado decorreu tanto de aumento de impostos
(modificações legislativas) quanto
do comportamento dos intrépidos indicadores
de atividade econômica, cujo desempenho o
governo tenta domar para conter o fantasma da inflação,
mas parece não estar conseguindo.
De fato, a política de incentivo ao consumo,
adotada pelo governo para atravessar a crise econômica
de 2008/2009 foi eficaz para segurar a produção
e emprego (inclusive o próprio; naquela época
vivia-se período pré-eleitoral), mas
essa variável ganha movimento inercial e
sua redução não é tarefa
trivial. Induzir aumento de consumo é fácil
e representa prazerosos ganhos políticos;
difícil é fazê-lo retornar aos
níveis anteriores.
De acordo com análise da Receita Federal,
os principais indicadores de atividade econômica,
medidos pelo IBGE, apresentaram expressivo crescimento
neste começo de ano. Comparada com o mesmo
período do ano passado, a produção
industrial, no primeiro trimestre deste ano, cresceu
2,3%; a venda de bens, 11,1% e a massa salarial,15,7%
tendo "turbinado", respectivamente, a
arrecadação do IPI, do PIS/COFINS
e da contribuição previdenciária
e Imposto de Renda Retido na Fonte sobre salários.
É de se destacar que contribuíram
para esse bom resultado algumas mudanças
legislativas que implicaram aumento de carga tributária,
como o término da redução das
alíquotas do IPI incidente sobre automóveis,
móveis e eletrodomésticos, a partir
de abril de 2010. O governo promoveu, também
no período, aumento de 4% para 6% na alíquota
do IOF incidente sobre investimento externo em renda
fixa.
É claro que o aumento de arrecadação,
quando decorre apenas de mais atividade econômica
e eficiência da máquina arrecadadora,
é salutar e desejável. Mas, no caso,
o aumento é em boa parte explicado por elevação
da carga tributária legal.
É de se registrar, também, que na
comparação com o ano passado, a trajetória
da arrecadação federal acumulada neste
ano é claramente descendente: cresceu 16,7%
em janeiro; 14,0% no primeiro bimestre; 12,7% no
trimestre e, agora, 12,1% no quadrimestre.
(*) economista , ex-coordenador
tributário da Secretaria da Fazenda do Estado
de São Paulo e sócio-diretor da CP
Consultores Associados Ltda (clovis@cpconsultores.
com .br)