Uma
conta que não fecha
Em entrevista
exclusiva à Siderurgia Brasil, o professor
Clóvis Panzarini mostra as barreiras que
impedem uma solução imediata para
o déficit fiscal brasileiro.
Clóvis Panzarini
(*)
Siderurgia Brasil –
O senhor concorda com a afirmação
de que a carga tributária brasileira é
muito elevada?
Clóvis Panzarini –
Eu concordo, mas gosto de fazer uma ponderação:
a carga tributária não é causa
de nada; ela é conseqüência do
tamanho do Estado brasileiro. Se o Estado brasileiro
custa 38% do PIB, há que se arrecadar 38%
em imposto, nem mais, nem menos, porque “não
existe almoço grátis”. Na realidade
o Estado brasileiro não custa 38% do PIB;
deve custar em torno de 33%. Nós estamos
arrecadando 38%, porque temos de fazer a chamada
extra do “condomínio Brasil”,
para pagar a farra fiscal do passado. Durante muitos
anos, não se tinha consciência de que
o governo é uma ficção jurídica
e que não produz absolutamente nada. E se
ele gasta mais do que arrecada, ou se paga com imposto
inflacionário ou se cria dívida –
e a dívida há de ser paga algum dia.
E agora está-se arrecadando o suficiente
para cobrir o tamanho do Estado, mas é preciso
arrecadar uma sobra para pagar as dívidas
do passado. Então, por exemplo, no ano passado,
o superávit primário, que é
a diferença entre o que se arrecadou e o
que se gastou exceto as despesas financeiras, foi
da ordem de 5% ou 4,9%. Isso foi para pagar o serviço
da dívida, mas não foi suficiente
porque, no ano passado, ela custou 8%. Há
então um déficit crescente, e o déficit
de hoje é a dívida de amanhã.
Tanto é assim que a dívida pública
já ultrapassou a casa de R$ 1 trilhão.
E também tem a taxa de juros, porque quando
o governo aumenta a taxa de juros, maiores se tornam
as despesas com os juros da dívida.
SB – Se der para situar
num momento, quando foi que essa dívida começou?
Panzarini – Essa dívida vem de há
muito tempo. Eu diria que a situação
começou a se agravar com Juscelino Kubitschek,
que contraiu dívidas monumentais para construir
Brasília e para fazer aquele governo que
ele fez. E durante muitos anos, até muito
recentemente, os governantes e a sociedade em geral
não tinham percepção de quando
o governo gasta mais do que arrecada, em algum momento
ele vai ter de pagar essa conta. Na questão
da carga tributária, eu comparo o Estado
brasileiro com a taxa de condomínio –
e quem mora em condomínio sabe disso. Não
adianta reclamar que a taxa de condomínio
é alta; há de se reclamar das despesas
de condomínio, porque se não se arrecadar
o suficiente para pagar as despesas, no mês
seguinte vai ter chamada extra. Então, tenho
de arrecadar o necessário para cobrir as
despesas. Se eu quiser diminuir a taxa de condomínio,
eu tenho que cortar despesas, desligando um elevador
ou dispensando os vigias. Não adianta querer
abaixar a taxa de condomínio sem abaixar
as despesas – não existe esse milagre.
SB – E aplicando isso
ao “condomínio Brasil”, quais
são as soluções possíveis
– se é que elas existem?
Panzarini – Eu acho que o Estado brasileiro
está obeso, como diz o Delfim Neto. O Estado
brasileiro não cabe mais no PIB brasileiro.
Então, há que se cortar despesas,
há que se enxugar, há que se racionalizar
o gasto. O problema do Estado brasileiro não
é só o tamanho do gasto, mas a sua
qualidade. Uma parte importante das despesas públicas
vai para transferências de renda, que é
o déficit da Previdência, que representa
um quarto da carga tributária – e isso
não vai ter solução enquanto
não se resolver o problema da Previdência
e o problema dos juros. Os grandes componentes das
despesas são o déficit da Previdência
e os juros, ou seja, a transferência de renda
e os juros, que não deixa de ser transferência
de renda. Estamos sugando renda do setor privado
via carga tributária e passando para o setor
financeiro.
SB – A estrutura tributária
brasileira é eficiente ou ela pode ser melhorada?
Panzarini – Pior que o tamanho da carga tributária
é a sua qualidade. O sistema tributário
brasileiro hoje é muito ineficiente. Ele
é complexo, injusto, induz à guerra
fiscal – ele tem todos os defeitos possíveis
e piora a cada dia. Houve alguns progressos recentemente,
quando se transformou o PIS e a Cofins de cumulativo
em não-cumulativo, só que nessa modificação,
o governo aproveitou para provocar um imenso aumento
de carga tributária, fazendo um erro de calibragem
das alíquotas de cumulativa para não-cumulativa
a seu favor. Quando ele transformou a alíquota
da Cofins de 3% cumulativa para 7,6% não-cumulativa,
provocou um aumento de 20% na carga tributária
nesse item. E além do mais, esse aperfeiçoamento
do PIS/Cofins é um aperfeiçoamento
parcial porque foram criados dois mundos: o mundo
não-cumulativo, que usa alíquotas
não-cumulativas, e o mundo cumulativo, que
são todas aquelas empresas que escaparam
da alíquota não-cumulativa e as empresas
que apuram impostos pelo lucro presumido, que estão
na alíquota cumulativa. Como esses dois mundos
interagem, o mundo cumulativo acaba contaminando
o mundo não-cumulativo, então é
uma meia verdade dizer que agora as contribuições
vão ser só não-cumulativas.
SB – O governador Alckmin
declarou recentemente, depois de conceder algumas
reduções do ICMS, que haveria um incremento
na arrecadação. Isso é possível?
Panzarini – Eu não tenho meios de medir
o que aconteceu em São Paulo depois que eu
saí do governo. Eu posso dizer que, enquanto
eu estive lá, todas as reduções
tributárias que foram feitas resultaram em
queda de arrecadação. Dizer que, com
uma alíquota menor as pessoas tendem a sonegar
menos é meia verdade, porque quem sonega
com uma alíquota de 18% também sonega
com alíquota de 12%. Na nossa época,
nós tivemos vários movimentos para
baixo da carga tributária e não tivemos
aumento de arrecadação. Você
pode, quando muito, ter uma redução
menos que proporcional na arrecadação.
Você faz uma redução de 33%
na alíquota e a arrecadação
cai 20%, porque alguma coisa entra na formalidade,
mas não o suficiente para compensar a perda.
Porque quando eu reduzo a alíquota de 18%
para 12%, eu estou fazendo uma redução
de 33% na carga nominal. Para ficar do mesmo tamanho
a arrecadação, é preciso que
haja um complemento adicional de 50% para compensar
aqueles 33%. Sempre que se reduz a carga tributária,
ocorrem dois efeitos positivos: o incentivo à
produção e o incentivo ao cumprimento
da norma. A questão a ser considerada é
se esses dois incentivos somados são suficientes
para compensar a redução da alíquota
nominal.
De qualquer modo, eu considero o ICMS um imposto
nefasto, não pela sua conceituação
enquanto IVA, que é um imposto de boa qualidade.
O problema do ICMS é que no Brasil foi colocado
na competência estadual. Isso aconteceu em
1967, na época do governo militar. Naquela
época chamava-se ICM, depois passou a ser
chamado de ICMS, que é o ICM com sua base
alargada pela introdução de cinco
novas bases – combustíveis, energia
elétrica, comunicação, transporte
e minerais –, que antes estavam sujeitas a
outros impostos e que entraram na base do ICM. O
ICMS funcionou muito bem na época do regime
militar por uma razão muito simples. Era
um imposto de natureza nacional, um imposto central,
e durante a ditadura militar, o governo era centralizado
e o federalismo não existia de fato. Então
o ICM, por ser um imposto de natureza nacional colocado
na esfera estadual, funcionou muito bem durante
muito tempo. A confusão começou com
a abertura democrática, quando os estados,
sentindo-se politicamente fortes, começaram
a se sentir liberados para fazer a sua política
tributária, desrespeitando a legislação
nacional do ICM. A confusão começou
a partir de 1985.
SB – Aliás, isso
ensejou a famosa guerra fiscal. Há alguma
forma de corrigir essa situação?
Panzarini – Eu acho que não, porque
dizer que nós vamos proibir a guerra fiscal
é chover no molhado, porque a guerra fiscal
já é proibida. A Lei Complementar
24, de 1975 – portanto essa lei tem 31 anos
– é uma lei muito inteligente. Ela
prevê todas as possibilidades de guerra fiscal,
e cerceia com duras penas ao Estado que a descumpre
– mas não adianta nada! Hoje os 27
estados descumprem a lei e não acontece nada.
O poder Judiciário se omite. Nós temos
que imaginar um modelo tributário que, pelas
suas características iniba a guerra fiscal.
Transformar em IVA nacional acabaria com a guerra
fiscal, mas para fazer isso, haveria problemas políticos
complicadíssimos porque o federalismo brasileiro
foi cristalizado com essas competências tributárias.
Então, centralizar um imposto que hoje representa
a maior parte do orçamento dos estados –
no caso do orçamento paulista, representa
90% da sua receita – não é tarefa
fácil. É muito complicado, ainda que
se diga que toda a arrecadação vai
para os estados. Os estados, além da competência
de gastar, querem ter também a competência
de arrecadar – querem ter a competência
de fazer a política tributária. Então,
essa é uma questão política
muito complicada.
Outra forma de acabar com a guerra tributária
seria implementando o princípio de destino
no ICMS. Ou seja, na operação interestadual,
100% da arrecadação pertenceria ao
estado onde a mercadoria é consumida, não
onde ela é produzida. Isso acabaria com a
guerra fiscal, mas aí haveria dois problemas
com isso. O primeiro é que se promoveria
uma formidável redistribuição
de receita dos estados exportadores líquidos
em favor dos estados importadores líquidos.
São Paulo, por exemplo, de tudo o que arrecada,
12% o faz no saldo líquido das operações
interestaduais. Se se adotasse o princípio
de destino – e isso poderia ser feito, por
exemplo, zerando as alíquotas interestaduais
–, São Paulo perderia 12% de seu orçamento.
Seria então o caso de implementar o princípio
de destino, mas criando mecanismos compensatórios
para que os estados não ficassem financeiramente
inviabilizados.
SB – No caso específico
do setor siderúrgico, ocorre uma combinação
de IPI e ICMS que sufoca as empresas. Seria possível
aplicar uma reforma de modo a unificar os dois tributos?
Panzarini – Sem dúvida, seria. Mas,
no caso do setor siderúrgico, que é
um setor que opera no meio da cadeia produtiva,
a carga tributária não se materializa
nele. Se o ICMS fosse federal, poderia se zerar
a carga tributária do setor siderúrgico
sem perda teórica de um centavo de arrecadação
de receita pública porque, com o imposto
não-cumulativo, tudo o que se arrecada no
setor siderúrgico é devolvido em idêntico
montante aos adquirentes de produtos siderúrgicos.
Então, seria uma carga tributária
teoricamente neutra, pois hoje eu não posso
fazer isso, primeiro porque o ICMS sendo estadual,
se eu zerar a carga tributária do setor siderúrgico,
eu crio problemas sérios para os estados
exportadores de produtos siderúrgicos –
mais um efeito colateral nefasto do nosso IVA estadual,
que é o ICMS. Se o ICMS fosse federal, a
alíquota do ICMS do setor siderúrgico
poderia ser zerada sem perda de um centavo de receita
pública.
SB – Como se faz uma distribuição
justa da arrecadação em outros países,
como, por exemplo, os Estados Unidos?
Panzarini – A estrutura tributária
americana é diferente da nossa. Ela está
centrada basicamente em impostos diretos, como o
imposto de renda e os retail sales taxes. Eles têm
imposto de renda federal, estadual e até
comunal, mas não têm um IVA como nós
temos aqui. O retail sales tax é um imposto
sobre vendas com alíquota pequena, de 5%
ou 6%, cobrado só na ponta do varejo. Ele
não incide no meio da cadeia que é
onde opera, por exemplo, o setor siderúrgico.
Então, nós poderíamos substituir
o nosso IVA pelo retail sales tax? Sim, conceitualmente
nós poderíamos, só que os impostos
indiretos têm um peso tão grande no
Brasil, no caso o ICMS, que eu teria que definir
uma alíquota extremamente alta para esse
IVV – imposto sobre venda a varejo –,
que é incompatível com a natureza
desse imposto. Como ele joga a carga tributária
no último elo da cadeia, que é um
elo difícil de ser controlado, se eu tiver
uma alíquota muito elevada, eu vou ter muita
dificuldade para arrecadar impostos. Nos Estados
Unidos funciona bem porque a alíquota é
baixa, de 5%, 6%, em alguns estados chega a 7% ou
8%, mas acima dessa taxa, eu teria muita dificuldade
para arrecadar, porque quando o contribuinte deixa
de emitir nota com imposto de venda a varejo, ele
está sonegando 100% do imposto. Já
no caso do ICMS, quando uma loja deixa de emitir
nota, ela está sonegando só o imposto
sobre o último valor agregado, porque todo
o resto da cadeia, conceitualmente, já pagou
imposto.
SB –Existe alguma forma
de evitar a sonegação?
Panzarini – Quanto maior a carga tributária,
maior é o prêmio pela sonegação.
Existe até a famosa curva de Lafer, que define
que, a partir de um determinado nível, não
adianta aumentar a alíquota que eu não
vou aumentar a arrecadação, porque
aumenta a sonegação. Se eu tiver uma
carga tributária de 38% e eu a aumento para
40%, eu vou ter um aumento muito maior de sonegação.
Então, para aumentar de 38% para 40%, é
necessário aumentar mais do que proporcionalmente
as alíquotas para conseguir esses dois pontos
na arrecadação, por efeito do efeito
da chamada curva de Lafer. É claro que os
fiscos, nos dias de hoje, estão se aparelhando
cada vez mais com ferramentas de informática,
estão cruzando bancos de dados, de forma
a coibir a sonegação fiscal, que é
uma das pragas do sistema tributário, que
decorre também da carga tributária,
que a estimula. A sonegação é
mortal porque quebra o princípio da isonomia,
que é a regra de ouro da tributação.
SB – Como se pode corrigir
o peso excessivo da Previdência nos gastos
públicos?
Panzarini – É muito complicado porque
vamos bater nos chamados direitos adquiridos. Uma
reforma previdenciária como essa não
se faria sem um período de transição
imenso porque as regras da Previdência Social
foram definidas numa outra realidade, quando a esperança
de vida da população era muito menor
do que é hoje. Na medida em que a esperança
de vida aumenta, aumenta o peso dessas transferências
de renda para o governo. E como o governo é
um ente abstrato, é a sociedade que paga
através dos impostos. Existem vários
modelos de previdência social, mas qualquer
modelo, para ser equilibrado, tem que fazer com
que aquilo que o cidadão recebe de volta
seja na exata medida daquilo que ele contribuiu.
Mas, se o cidadão contribui durante 35 anos
com 11% do seu salário e depois vai viver
mais 35 recebendo 100% do seu salário, a
conta obviamente não fecha.
SB – Falando da qualidade
dos gastos do governo, ele gasta bem, gasta mal
ou faz o que pode?
Panzarini – Gasta muito mal. Eu tenho números
interessantes. No ano passado, o governo federal
arrecadou R$ 404 bilhões e gastou em investimentos
apenas R$ 10 bilhões, ou seja, 2,47% de tudo
o que arrecadou ele gastou em investimentos. Em
outras despesas, inclusive juros, ele gastou 97,53%
. O déficit da Previdência como um
todo representa 5,3% do PIB. Para zerar isso o governo
deveria arrecadar o mesmo montante que ele gasta.
Ele arrecadou 6,4% do PIB em contribuições
previdenciárias e gastou 11,7%. Esses 5,3%
do PIB foram pagos com impostos, pela sociedade
como um todo. É transferência líquida
de renda do grupo que paga impostos para o grupo
que recebe previdência. O sistema previdenciário
esta estabelecido em bases atuariais erradas, porque
conceitualmente o cidadão deveria contribuir
ao longo de sua vida o suficiente para ter um pecúlio
a partir do momento em que ele não pudesse
mais trabalhar. Nós temos vários problemas
para resolver. Temos o problema da esperança
de vida, o problema de aposentadoria por tempo de
serviço. Nós temos exemplos de pessoas
que se aposentam com 45 anos de idade. Até
pouco tempo atrás, as mulheres se aposentavam
com 30 anos de contribuição ou 25
anos na proporcional. Então, uma professora
que começava a trabalhar com 20 anos de idade,
com 45 anos, no auge da sua produtividade, podia
se aposentar e viver às custas de transferências
públicas. E o governo tinha que contratar
outra funcionária para cobrir aquela lacuna.
Não há país que resista a isso!
SB – E como fica a questão
do desequilíbrio entre as pensões
pagas aos aposentados do setor privado e aos do
setor público?
Panzarini – Isso é outra coisa complicadíssima.
Em 2004 o INSS, no setor privado, gastou R$ 130
bilhões e beneficiou 23 milhões de
pessoas. Portanto, a aposentadoria média
anual do setor privado foi de R$ 5.660. Já
os beneficiários do setor público
receberam de aposentadoria, no total, R$ 75,9 bilhões,
mas os aposentados do setor públicos somaram
3 milhões de pessoas e, portanto, tiveram
uma aposentadoria média anual de R$ 25.330.
Ou seja, a aposentaria média do setor público,
em 2004, foi 5 vezes maior do que no setor privado.
O INSS gastou pouco menos que o dobro com o setor
público e beneficiou 8 vezes mais pessoas.
Esse desequilíbrio é muito grande.
SB – Os programas sociais
são eficientes para resolver pelo menos parcialmente
o problema da pobreza no país?
Panzarini – Não, não são
eficientes. Já existem dados que mostram
que a distribuição não melhorou
muito com esses programas. É claro que um
país com tanta miséria como o nosso
não pode prescindir de programas de proteção
social, mas não dá para imaginar que
vamos conseguir justiça social só
com programas de transferência de renda, porque
o importante é criar empregos, o importante
é crescer. Mas, enquanto a economia ficar
patinando, como está patinando hoje, com
essa carga tributária maluca, com o peso
brutal do setor público, o Brasil vai ficar
concorrendo com o Haiti em termos de taxa de crescimento,
como aconteceu no ano passado. Na América
Latina, o Brasil só ganhou do Haiti. Enquanto
o mundo cresceu 4,5% e os países emergentes
cresceram 6,1%, o Brasil cresceu 2,3%. Voltando
aos gastos públicos, no ano passado, o governo
gastou – como eu já disse – R$
10 bilhões em investimentos, em infra-estrutura,
e na rubrica “outras despesas correntes”,
que é um balaio onde cabe tudo e ninguém
sabe o que está lá dentro, gastou
R$ 55 bilhões – ou seja, 5,5 vezes
e meia. Despesas de publicidade, como as do Marcos
Valério, com certeza estão lá
dentro. Seria leviandade dizer que tudo o que está
aí é desperdício, mas inclui
tudo – inclusive todos os gastos com publicidade
e viagens.
SB – Quais são
suas considerações finais?
Panzarini – Eu acho que nós não
devemos perder a esperança. Eu acho que se
o país conseguir fazer uma reforma tributária
adequada, conseguir fazer uma política monetária
mais adequada, de forma a reduzir o tamanho do Estado,
e reduzir os juros, nós podemos criar condições
para crescer. Um grande progresso que se conseguiu
recentemente – e acho que tem de ser mencionado
– foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que
estancou a hemorragia da dívida pública,
responsabilizando até criminalmente o agente
público que não cumpre as regras de
gastar somente aquilo que arrecada. Mas, por enquanto
nós estamos ainda enfrentando a chamada extra
para pagar a farra fiscal do passado – mas
já houve um progresso.
(*) economista , ex-coordenador tributário da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e sócio-diretor da CP Consultores Associados Ltda (clovis@cpconsultores. com .br)